‘Borat 2’: Após censurar 1º filme, Cazaquistão não se pronuncia sobre sequência

Author

Categories

Share

O Ministério de Relações Exteriores do Cazaquistão informou que não se pronunciará sobre o novo filme de Sacha Baron Cohen que traz de volta, 14 anos depois, o caricato personagem Borat, em mais uma aventura do jornalista cazaque nos Estados Unidos, desta vez para uma missão secreta para o governo do seu país. “Não haverá comentários oficiais sobre o lançamento do novo Borat. Vamos simplesmente ignorá-lo”, disse à Agência Efe um representante da Chancelaria.

Como o filme será lançado, no dia 23 de outubro, através da plataforma de streaming da Amazon, o Ministério da Cultura do Cazaquistão não pode proibi-lo, como fez em 2006, quando o polêmico primeiro filme da saga, gravado como se fosse um documentário fictício, teve sua distribuição vetada pelo governo por passar uma imagem negativa do país.

O filme chega quase duas semanas antes das eleições presidenciais americanas do dia 3 de novembro para os assinantes da Amazon Prime Video, em diversos países. O comediante britânico Sacha Baron Cohen, de 48 anos, abordará temas como a política dos Estados Unidos e pandemia da Covid-19. O título escolhido para a sequência, dirigida novamente por Jason Woliner, foi “Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan” (Borat, Filme Subsequente: Entrega de um Suborno Prodigioso ao Regime Americano para Beneficiar a uma Vez Gloriosa Nação do Cazaquistão, em tradução livre).

“Há 14 anos, eu lancei um filme que envergonhou profundamente o Cazaquistão, mas agora recebi instruções para voltar para à terra dos ‘yankees’ para realizar uma missão secreta, mas as pessoas podem reconhecer meu rosto, então vou precisar de disfarces”, afirma o personagem no trailer publicado no canal da Amazon Prime Video no Youtube no dia 1º de outubro, e que possui quase 7,2 milhões de visualizações.

Manifestações contrárias a ‘Borat 2’

Se, por um lado, as autoridades do Cazaquistão decidiram se calar, nas redes sociais o novo filme causou uma onda de indignação. Internautas reclamam da “apropriação cultural” da saga, e afirmam que os cazaques são pessoas amigáveis e hospitaleiras. Também foi criada uma petição online para pedir que o Prime Video não disponibilize o filme e para promover o boicote à sequência de Borat por parte do público. Além disso, os autores do abaixo-assinado virtual também exigem que Baron Cohen se desculpe publicamente. A maioria dos jovens que assinaram a petição, mais de 100 mil até o momento, reclama que o filme não reflete a realidade do Cazaquistão e que cria uma concepção errônea dos cidadãos da antiga república soviética.

No último fim de semana, um policial de Nova York, de origem cazaque, organizou um protesto pacífico porque acredita que “as pessoas que fizeram este filme” não respeitam “a nação, a cultura, e a história” do Cazaquistão, além de terem criado “um estigma em relação” à população do país, que é “muito melhor do que Borat”. O cientista político cazaque Eduard Poletaev, por sua vez, disse à Efe que o silêncio do governo cazaque tem sua lógica, pois quanto mais barulho houver, mais interesse o filme despertará por parte do público internacional. No entanto, o especialista recomendou que cineastas não utilizem países específicos para fazer sátiras, e que, em vez disso, usem o sufixo “-stán” para criar nações fictícias.

Assista ao trailer da sequência:

*Com EFE

Author

Share