O que representa a saída de Márcio Gomes da Globo rumo à CNN Brasil?

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Márcio Gomes

Márcio Gomes
Márcio Gomes deixa a Globo, após mais de duas décadas de parceria, para atuar na CNN Brasil (Imagem: Reprodução / Globo)

Após 24 anos de trabalho no Grupo Globo, Márcio Gomes acertou sua transferência para a CNN Brasil. O anúncio da contratação surpreendeu a web. Há quem acredite que Márcio andava desvalorizado na emissora de TV aberta; outros entendem como “tiro n’água” a mudança para o canal pago. Consenso apenas em torno da questão financeira: Márcio, certamente, vai ganhar mais, o que é interessante para todo e qualquer profissional, independente da área de atuação. Mas por que tal negociação e o consequente acerto causam tanto burburinho?

Márcio chegou à Globo em 1996, após uma breve passagem pela Record. No mesmo ano, trocou a reportagem nos jornais locais de São Paulo pela bancada da recém-inaugurada GloboNews. Seguiu no Rio de Janeiro, como apresentador do Bom Dia Rio, do RJ1 e do Jornal Nacional. Foi responsável, inclusive, pela ancoragem do noticiário de maior prestígio do país no dia em que forças de segurança do governo estadual ocuparam o Morro do Alemão; a cobertura ao vivo, ao longo de toda programação, bem como as matérias sobre no JN renderam o Emmy Internacional na categoria Notícia, em 2011.

Gomes foi promovido à correspondente internacional dois anos depois. Deixou o Japão em 2018 rumo à Editoria São Paulo. Não encontrou, porém, um posto para chamar de seu. Nos últimos meses, “quicou” de telejornal em telejornal, sempre substituto. Até a pandemia de coronavírus afetar os planos do Brasil e do mundo. E a grade da Globo. Coube ao jornalista o comando do programa Combate ao Coronavírus; a voz mansa e as informações transmitidas com clareza atenuaram o conteúdo apocalíptico do formato. Na sequência, assumiu o boletim Covid-19, interagindo com Renata Vasconcellos e William Bonner no Jornal Nacional.

Pode-se dizer que Márcio Gomes foi a cara da Globo na pandemia. Sua imagem ficará associada a este momento crítico de nossa história tanto quanto a das novelas chegando ao fim de uma “primeira fase” que jamais existiria em tempos normais. Mas, visibilidade não é reconhecimento. Assim como confiança, de entregar a ele os noticiários na ausência dos titulares, não é prestígio. O contrato com a CNN Brasil se deu em meio à falta de perspectiva por uma cadeira cativa na agora antiga casa.

A partida do coringa afeta a emissora-líder, óbvio. Em meio à reestruturação financeira, a Globo, certamente, não dispensou esforços para segurar Gomes. A redação, aliás, oferece profissionais tão bons quantos. Caso de Alan Severiano, interino no boletim Covid-19 do Jornal Nacional, experiente e excelente como Márcio. Há de se lamentar, no entanto, o mau aproveitamento de figuras como ele e Sandra Annenberg, restrita ao Globo Repórter, enquanto César Tralli, por exemplo, cumpre jornada dupla, no SP1 e na Edição das 18h, na GloboNews.

Já a CNN Brasil promete fazer de Márcio “o principal nome” de “um projeto inovador que será anunciado ao mercado nas próximas semanas, reforçando o caráter multiplataforma da empresa no Brasil” – a coluna torce para que tal ação seja a de “arrendamento” do Jornalismo do SBT. É a oportunidade que o mais novo canal de notícias do país tem de se reinventar. Em poucos meses de atividade, a “maior do mundo” se apequenou, com jornalísticos que divagam sobre o nada por horas e a insistência no quadro O Grande Debate, que só fez popularizar Caio Coppola, espécie de adolescente rebelde repetindo frases de efeito para uma plateia política pouco esclarecida.

A chegada de Márcio Gomes reflete o desejo de sair do lugar comum, expresso por ele em publicação do Instagram. Reflete também a gestão por vezes equivocada da Globo no que diz respeito aos talentos que integram seus quadros, bem como a já conhecida opção de não gastar além da conta para fazer ficar quem deseja sair. Reflete ainda a vontade, e a necessidade, da CNN Brasil de manter-se em alta, após o lançamento que muito prometeu e pouco cumpriu – a conferir o tal “projeto inovador”, capaz (ou não) de reposicionar a marca e agitar a torcida outra vez. Sorte para todos.

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