Diversificação por prazo de vencimento reduz risco de descasamento em FIDCs, avalia Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM

Ines Corviera
Ines Corviera
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ID CTVM

O equilíbrio entre o prazo médio dos recebíveis e o cronograma de resgate das cotas é um dos pilares técnicos na estruturação de operações de crédito estruturado, conforme análise da ID CTVM

A estruturação de um fundo de investimento em direitos creditórios exige que o gestor equilibre cuidadosamente o prazo médio dos recebíveis que compõem sua carteira com o cronograma de obrigações do fundo perante seus cotistas, seja em relação a resgates programados, seja em relação à amortização de cotas seniores em datas previamente definidas. Esse equilíbrio, conhecido no jargão técnico do mercado financeiro como gestão de duration, busca evitar o chamado descasamento de prazos, situação em que o fundo precisa honrar uma obrigação antes que os recebíveis correspondentes de sua carteira tenham efetivamente gerado o fluxo de caixa esperado.

Um fundo com carteira concentrada excessivamente em recebíveis de prazo muito longo, mas com cronograma de resgate de cotas relativamente curto, pode enfrentar dificuldades para honrar suas obrigações no momento previsto, ainda que a qualidade de crédito da carteira seja elevada, uma vez que o problema nesse cenário não é a capacidade de pagamento dos devedores, mas sim o descompasso temporal entre a geração de caixa dos ativos e o calendário de obrigações do fundo.

Diversificação entre prazos curtos e longos equilibra a carteira

A diversificação da carteira de um FIDC entre recebíveis de diferentes prazos de vencimento, combinando ativos de giro mais rápido com operações de maturação mais longa, é uma das estratégias utilizadas por gestores para reduzir o risco de descasamento de prazos, uma vez que essa combinação tende a gerar um fluxo de caixa mais constante e previsível ao longo do tempo, em vez de concentrar a geração de recursos em datas específicas e distantes entre si.

Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, essa gestão de duration é um dos aspectos técnicos que exigem maior sofisticação por parte de gestores e administradores fiduciários na estruturação de um fundo.

“A gestão de duration não é um exercício estático, feito apenas no momento da constituição do fundo. É um processo contínuo, que precisa acompanhar tanto a originação de novos recebíveis quanto eventuais mudanças no comportamento de resgate dos cotistas, especialmente em fundos abertos. O administrador fiduciário tem um papel importante nesse acompanhamento, ao monitorar continuamente o prazo médio da carteira e sinalizar ao gestor eventuais desequilíbrios que precisem ser corrigidos por meio da originação de novos ativos com prazo complementar”, explica o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária de fundos estruturados de diferentes perfis, acompanhando de forma contínua o prazo médio da carteira de cada operação sob sua administração e reportando essa informação de maneira transparente aos gestores e aos cotistas de cada fundo.

Instrumentos de liquidez complementam a gestão de descasamento

Além da diversificação de prazos dentro da própria carteira de recebíveis, alguns fundos estruturados contam com instrumentos complementares de gestão de liquidez, como linhas de contingência ou reservas de caixa específicas, destinados a suportar eventuais descompassos temporários entre a geração de caixa dos ativos e o cronograma de obrigações do fundo. Esses instrumentos, ainda que não eliminem a necessidade de uma gestão criteriosa de duration, funcionam como uma camada adicional de proteção contra cenários de estresse de liquidez pontuais.

A comunicação transparente sobre o prazo médio da carteira e sobre eventuais riscos de descasamento identificados pelo administrador fiduciário também é um elemento relevante para que investidores institucionais avaliem com precisão o perfil de liquidez de um fundo antes de comprometer capital em uma nova operação, especialmente aqueles com necessidades próprias de gestão de caixa que dependem da previsibilidade dos fluxos recebidos.

Diferença entre fundos abertos e fechados na exposição ao descasamento

Fundos estruturados como veículos fechados, com prazo de duração predefinido e resgates concentrados em datas específicas, tendem a apresentar menor exposição ao risco de descasamento de prazos do que fundos abertos, que permitem resgates mais frequentes e, por isso, exigem uma gestão de liquidez mais dinâmica por parte do gestor. Nesse tipo de estrutura fechada, o planejamento do prazo médio da carteira pode ser realizado com maior previsibilidade, já que o cronograma de obrigações do fundo é conhecido antecipadamente por todas as partes envolvidas na operação.

Já em fundos abertos, a imprevisibilidade do comportamento de resgate dos cotistas introduz uma variável adicional à gestão de duration, o que leva gestores desse tipo de estrutura a manter uma parcela relevante da carteira em ativos de menor prazo, mesmo que isso signifique abrir mão, em parte, do potencial de retorno adicional associado a recebíveis de maturação mais longa, como forma de preservar a capacidade do fundo de honrar solicitações de resgate sem comprometer a qualidade da carteira remanescente.

Perspectivas para a gestão de prazos em fundos de recebíveis

Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua complexidade e atraindo investidores institucionais com diferentes horizontes de investimento, a tendência é que a sofisticação na gestão de duration siga como um diferencial técnico relevante entre gestores e administradores fiduciários especializados. Para o mercado de crédito estruturado como um todo, o equilíbrio entre prazo de ativos e cronograma de obrigações deve continuar sendo um dos fundamentos centrais da solidez estrutural de um fundo de investimento em direitos creditórios.

Sobre a ID CTVM

 A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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