‘Comando do Talibã no Afeganistão pode incrementar risco terrorista aos EUA’, diz especialista

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O retorno do Talibã ao comando do Afeganistão deve levar a desdobramentos além das fronteiras do país, causando repercussões em outras nações. O professor de relações internacionais Marcos Vinícius de Freitas avalia que a maior preocupação, no momento, é que os talibãs busquem vingança, se optarem por um “revanchismo histórico”. “Pode incrementar um risco terrorista nos Estados Unidos. A situação tem a ver com o Estado Islâmico. Existem muitos grupos que apregoam em razão do fundamentalismo religioso e tentam encontrar nos Estados Unidos a grande ameaça, o grande satã. É difícil ter o controle da questão terrorista”, pontua, mencionando que o maior desafio é coibir a criação de organizações para treinamento de grupos radicais, o que poderia tornas a situação ainda mais delicada. “Se eu fosse norte-americano, com o custo dessa guerra, o número de mortes, ficaria preocupado com o que pode vir como eventual vingança”, ponderou Marcos Vinícius, que também é professor visitante da Universidade de Relações Exteriores da China.

Além de preocupante pelo risco de ataques terroristas, a questão do Talibã também respinga, e compromete, a política externa dos Estados Unidos. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o professor de relações internacionais explica que o anúncio da saída das tropas americanos do Afeganistão aconteceu no início do mandato de Donald Trump. No entanto, efetivamente, os reflexos negativos devem atingir o governo atual, de Joe Biden. “A situação é complexa porque os EUA precisam remover os seus diplomatas, cidadãos norte-americanos e pessoas que foram fiéis ao governo, eles precisam remover o mais rápido possível. […] O medo é que se o governo Biden volta na situação anterior [de ocupação militar no país], as políticas se alternam. Pode ter uma chacina no aeroporto, que é o que eles não vão querer ver. O Talibã assumiu o poderio militar, eles têm as armas que os Estados Unidos deram para as forças afegãs sendo utilizadas. Não poderia acontecer um pior fiasco na política externa”, esclareceu.

Marcos Vinícius de Freitas ressaltou ainda que é preciso lembrar que o Talibã é uma “criação de um grupo que os EUA apoiaram na guerra contra a União Soviética”. “É a criatura depois vindo atrás do criador”, pontuou. Nesta segunda-feira, 16, milhares de afegãos se dirigiram ao aeroporto de Cabul para tentar fugir do país em aviões militares que levavam diplomatas e funcionários da embaixada dos Estados Unidos. Vídeos mostram pessoas tentando se equilibrar nas rodas das aeronaves e caindo em queda livre após a decolagem. Testemunhas falam em cinco mortes. Segundo o professor de relações internacionais, a ascensão dos talibãs é apoiada por grupos xiitas, fundamentalistas e países como o Irã.

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