Idoso ativo após os 70 anos sob a ótica da geriatria e além do senso comum

Diego Rodríguez Velázquez
Diego Rodríguez Velázquez
5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

Existe uma crença persistente de que, a partir de determinada idade, o declínio é inevitável e o cuidado se resume a gerenciar perdas. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, trabalha com a perspectiva oposta: a de que o envelhecimento ativo é um objetivo clínico real e alcançável para a grande maioria dos pacientes. Por outro lado, negligenciar essas capacidades, além de equivocada do ponto de vista clínico, tem consequências práticas sérias: leva famílias a subestimarem o potencial de recuperação do idoso, profissionais a oferecerem menos intervenções ativas e os próprios idosos a aceitarem limitações que poderiam ser revertidas ou minimizadas com abordagem adequada. 

Confira neste artigo o que a ciência geriátrica sabe sobre a manutenção da vitalidade na terceira idade. Acompanhe!

O que a geriatria entende por envelhecimento ativo?

Na linguagem clínica, envelhecimento ativo não significa ausência de doenças. Significa manutenção da funcionalidade, da autonomia e do engajamento com a vida, apesar das condições que o envelhecimento traz. Um idoso de 78 anos com hipertensão controlada, mobilidade preservada, saúde mental estável e vínculos afetivos significativos está envelhecendo ativamente, mesmo que seus exames não sejam os de um adulto jovem.

Yuri Silva Portela nota que o erro mais comum na abordagem do idoso é tratar cada condição crônica de forma isolada, sem avaliar o impacto do conjunto sobre a funcionalidade do paciente. Um idoso que toma oito medicamentos, tem dificuldade para dormir e parou de sair de casa há seis meses não está apenas com hipertensão e artrose. Ele está em declínio funcional que exige uma intervenção geriátrica abrangente e urgente.

A avaliação geriátrica ampliada, que examina cognição, mobilidade, humor, risco de quedas, suporte social e uso de medicamentos de forma integrada, é a principal ferramenta disponível para mapear esse quadro com precisão. Ela frequentemente revela oportunidades de intervenção que uma consulta convencional simplesmente não identificaria.

Quais intervenções fazem mais diferença na manutenção da vitalidade?

A lista é menor e mais acessível do que muita gente imagina. Atividade física adaptada é a intervenção com evidência mais robusta para preservação da funcionalidade no idoso. Não precisa ser intensa. Caminhadas regulares, exercícios de equilíbrio e fortalecimento muscular leve produzem resultados que nenhum medicamento replica com o mesmo perfil de segurança e amplitude de benefícios.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na visão do doutor Yuri Silva Portela, a revisão periódica dos medicamentos em uso é igualmente determinante. A polifarmácia não gerenciada compromete cognição, equilíbrio, apetite e humor de formas que parecem envelhecimento natural, mas que são efeitos adversos tratáveis. Simplificar prescrições, quando possível, frequentemente transforma a disposição e a funcionalidade do idoso de forma surpreendentemente rápida.

O papel do Humaniza Sertão na promoção do envelhecimento ativo

Nas comunidades do sertão de Quixadá, a chegada do Humaniza Sertão representa para muitos idosos o primeiro contato com uma avaliação funcional completa. Fisioterapeutas que avaliam marcha e equilíbrio, nutricionistas que orientam sobre alimentação para manutenção muscular e médicos que revisam medicamentos são profissionais cujo trabalho combinado tem impacto direto sobre a capacidade do idoso de permanecer ativo.

Conforme destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, o doutor Yuri Silva Portela, ver um idoso que chegou com dificuldade de caminhar retornar numa visita seguinte com mais segurança e confiança no próprio corpo é um dos resultados mais eloquentes do projeto. Esse tipo de mudança não exige alta tecnologia. Exige avaliação precisa, orientação adequada e a presença de profissionais comprometidos com o potencial de cada paciente.

Vitalidade não tem prazo de validade

O envelhecimento ativo é um objetivo clínico legítimo para qualquer idoso, independentemente da idade ou das condições que carrega. O que determina o resultado não é a genética nem a sorte. É a qualidade do cuidado recebido e a disposição de todos os envolvidos para trabalhar em direção a esse objetivo.

O doutor Yuri Silva Portela acredita que todo idoso tem mais potencial do que seu prontuário sugere. Busque acompanhamento geriátrico que compartilhe dessa visão. O envelhecimento com vitalidade começa com a decisão de não aceitar o declínio como único caminho possível.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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