Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanha há décadas a evolução dos sistemas de dutos no Brasil e no exterior, mas poucos projetos simbolizam tão bem a mudança de escala da engenharia dutoviária quanto os roletes de grandes dimensões apresentados na Rio Pipeline 2013. Mais do que um lançamento tecnológico, aquele momento marcou uma inflexão conceitual na forma como tubulações de grande diâmetro passaram a ser tratadas em projetos industriais de alta complexidade.
A apresentação ocorreu durante a Rio Pipeline Conference & Exposition, realizada em setembro de 2013 no Rio de Janeiro, evento que tradicionalmente reúne os principais atores do setor de dutos no país. Naquela edição, pela primeira vez, o público teve contato direto com os principais roletes já fabricados no mundo para suportação permanente de tubulações, desenvolvidos especificamente para atender às exigências da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Da escala convencional a um novo patamar de engenharia
Os roletes expostos haviam sido projetados para tubulações de 56, 60 e 72 polegadas, destinadas ao transporte de grandes volumes de água no complexo industrial da RNEST. Tubos desse porte, sobretudo quando associados a paredes de menor espessura, impõem desafios que extrapolam os parâmetros usuais das normas técnicas tradicionais.
Sob essa perspectiva, Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que projetos desse tipo deixam de se enquadrar na categoria clássica de “dutos” e passam a exigir a mesma lógica aplicada a vasos de pressão. Essa mudança de enquadramento técnico foi determinante para o desenvolvimento de uma base de suporte capaz de preservar a integridade estrutural das tubulações ao longo do tempo, mesmo sob condições operacionais severas.
O processo de desenvolvimento e os desafios construtivos
O caminho até a solução final foi longo. Os roletes, com peso médio de 1,8 tonelada cada, demandaram cerca de oito meses de engenharia dedicada e mais de quatro meses de fabricação. Cada detalhe do projeto precisou ser estudado com rigor, desde a escolha dos materiais até a definição do coeficiente de atrito adequado para permitir movimentos controlados da tubulação sem gerar deformações.
Esse trabalho foi realizado em contrato exclusivo com a Alusa Engenharia, responsável pela execução do sistema junto à Petrobras. A adoção do novo conceito de suportação representou, à época, um desafio adicional para todos os envolvidos, justamente por romper com soluções padronizadas amplamente utilizadas no setor.
Inovação aplicada e reconhecimento técnico
De acordo com Paulo Roberto Gomes Fernandes, o caso da RNEST ilustra como a inovação aplicada nasce da combinação entre demanda real de campo e capacidade de engenharia. Não se tratava de um protótipo experimental, mas de uma solução concebida para operação permanente, já instalada e em funcionamento quando foi apresentada ao público da feira.
Quando o limite físico dos dutos exige uma nova engenharia de suporte↗

Além do projeto específico, a tecnologia dos roletes em polímeros especiais integra um portfólio mais amplo de soluções de suportação desenvolvidas pela Liderroll, protegidas por patentes registradas em diversos países. Essa base tecnológica permitiu que a empresa se posicionasse como referência em projetos de grande complexidade, tanto no Brasil quanto no exterior.
A feira como espaço de intercâmbio técnico
Conforme evidencia Paulo Roberto Gomes Fernandes, a participação na Rio Pipeline sempre foi encarada como parte de uma estratégia de troca técnica e institucional. A cada edição, a empresa optou por não repetir casos já apresentados, levando ao evento novos protótipos, conceitos e aplicações inéditas. Essa postura, embora exija investimentos elevados e mobilização de equipes especializadas, reforça o papel da feira como espaço de construção coletiva do conhecimento no setor.
O intercâmbio internacional também se mostrou central. A edição de 2013 contou com empresas de cerca de 20 países e mais de 150 expositores, criando um ambiente propício para comparação de soluções e discussão de tendências globais. Para o executivo, esse diálogo é fundamental para manter a engenharia nacional alinhada aos avanços observados em outros mercados.
Um marco para projetos futuros
Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que a apresentação dos principais roletes do mundo na Rio Pipeline 2013 pode ser entendida como um marco simbólico da transição para projetos de dutos cada vez mais complexos e de maior escala no Brasil. Ao antecipar demandas futuras, como as associadas a flares de grandes proporções e sistemas de alta vazão, a solução demonstrou que a engenharia nacional é capaz de responder a desafios que antes pareciam restritos a poucos mercados internacionais.
Autor: Freddy stars
