Estilos de liderança na avaliação de Marcio Alaor de Araujo

Ines Corviera
Ines Corviera
5 Min de leitura
Marcio Alaor de Araujo

Líderes costumam tratar todos os liderados da mesma forma, embora cada profissional precise de um tipo diferente de orientação. Na perspectiva de Marcio Alaor de Araujo, empresário com foco em resultados, a contradição explica por que um mesmo gestor pode ser elogiado por parte da equipe e criticado por outra. Adaptar os estilos de liderança a cada pessoa exige um processo consciente, organizado em etapas.

Avaliar experiência e autonomia de cada pessoa

O primeiro passo é entender em que estágio cada profissional se encontra em relação às tarefas que executa. Um recém-contratado pode ter grande motivação, mas pouca experiência. Um profissional experiente pode dominar a técnica, mas estar desmotivado. Outros reúnem competência e disposição para trabalhar com autonomia quase total.

A avaliação deve ser feita por tarefa, e não apenas por pessoa. Um analista pode ser muito experiente em sua função principal e iniciante em um novo projeto. Tratar o profissional sempre da mesma forma, sem considerar o contexto de cada atividade, leva o líder a exagerar no controle em alguns casos e a faltar com apoio em outros, com prejuízo para a equipe.

Definir o nível de acompanhamento

Com o diagnóstico feito, é possível ajustar o grau de orientação. Profissionais iniciantes precisam de instruções claras, exemplos e acompanhamento próximo. Quem já tem alguma experiência se beneficia de mais diálogo, explicação dos motivos e participação nas decisões. Profissionais maduros rendem mais quando recebem objetivos claros e liberdade para definir como alcançá-los.

Conforme aponta Marcio Alaor de Araujo, o erro mais comum é aplicar o mesmo nível de acompanhamento a toda a equipe. Controlar de perto um profissional experiente gera frustração e desperdiça talento. Deixar um iniciante sem orientação, por outro lado, provoca insegurança e erros evitáveis. O ajuste fino faz diferença no desempenho do grupo e na satisfação de cada integrante.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Ajustar a forma de dar feedback

O feedback também precisa ser adaptado. Profissionais em início de carreira costumam se beneficiar de retornos frequentes e específicos, que mostram com clareza o que fazer de diferente. Pessoas experientes valorizam conversas mais estratégicas, focadas em resultados, desenvolvimento de carreira e novos desafios.

A forma de comunicar importa tanto quanto o conteúdo. Alguns profissionais preferem conversas diretas e objetivas, outros respondem melhor a abordagens mais cuidadosas e detalhadas. Conhecer as características de cada liderado permite que a mensagem seja recebida da forma pretendida, sem gerar resistência desnecessária ou mal-entendidos que prejudiquem a relação de trabalho.

Comunicar o estilo adotado

Adaptar o estilo pode parecer, para quem observa de fora, tratamento desigual. Um profissional que recebe acompanhamento mais próximo pode interpretar a atenção como desconfiança, enquanto outro, com mais autonomia, pode se sentir abandonado. Explicar o motivo de cada abordagem evita interpretações equivocadas.

A transparência fortalece a relação, pondera Marcio Alaor de Araujo. Combinar com cada profissional como será o acompanhamento, por quanto tempo e em que condições ele poderá ganhar mais autonomia transforma a liderança em um acordo claro. A pessoa passa a enxergar o acompanhamento como parte de seu desenvolvimento, e não como avaliação de sua capacidade ou sinal de desconfiança.

Revisar os estilos de liderança com o tempo

A última etapa é revisar periodicamente a abordagem. À medida que os profissionais ganham experiência e confiança, o líder deve reduzir o controle e ampliar a autonomia. Manter o mesmo nível de acompanhamento depois que a pessoa evoluiu impede seu crescimento e pode levá-la a buscar oportunidades em outro lugar. Promover a autonomia gradualmente é parte essencial do papel de qualquer gestor.

Como destaca Marcio Alaor de Araujo, a flexibilidade nos estilos de liderança é uma das competências mais valiosas de um gestor. Líderes que adaptam a forma de conduzir cada pessoa extraem o melhor da equipe, aceleram o desenvolvimento de talentos e constroem relações de confiança que sustentam resultados consistentes ao longo do tempo.

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